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Conto: O Portal

Atualizado: Mai 13



Autor: Tarsis 'Wolf' Martins Twitch: WolFsupp

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2093, a sociedade caminha de forma cada vez mais científica e tecnológica, porém velhos embates ainda se fazem presentes, ao que parece, a humanidade não alinhou seus pensamentos e conclusões de forma assertiva. No ano anterior, Christopher Mahawks, Agnes Natierri e Alan Hedren, três cientistas cosmologistas, realizaram a maior descoberta do século, uma antiga teoria finalmente encontrou sua comprovação, a Teoria dos Multiversos.


Logo após a divulgação da nova luz de conhecimento que pairava sobre os humanos, uma onda de guerras, assassinatos, suicídios e desavenças tomaram por completo as sociedades. Nada que por vezes a humanidade já não tivesse passado, porém, dessa vez o risco de extinção era iminente. Por mais que a descoberta se mostrasse de forma empírica apenas com objetos sendo enviados para Universos Paralelos, havia a certeza de que um mundo físico existia além daquilo que sempre foi a compreensão humana. O argumento maior passou a ser: “Eu vivo em dimensões infinitas, logo, acabarei com o sofrimento aqui para estar em uma realidade melhor”.


A busca por refrear a humanidade tomou um grande espaço social, porém, a força tomada por atos ignorantes tornava tênue todo e qualquer esforço pela existência. Vivenciando o caos, Christopher, Agnes e Alan reuniram o mais breve possível no decorrer daquele ano uma força tarefa a fim de criar O Portal que conseguiria levar um ser humano ao outro lado, ainda não descrito.


No decorrer do ano de 2093, o grupo de cientistas denominados Reate foi incansavelmente perseguido por extremistas e todos aqueles que buscavam o fim de um mundo julgado por 'quebrado'. A maior perda de pessoal e equipamentos sofrida pela Reate foi em dezembro daquele ano, onde por pouco todo o avanço do projeto não foi perdido. A equipe foi reduzida pela metade, não apenas pelas baixas, mas também por deserção dos membros. Trabalhar sob tal pressão social e midiática se tornou impossível para muitos deles.


Os passos finais para o início das experimentações com humanos se aproximavam. Agnes, que em 2094 tomou a frente do projeto, decidira que primeiro enviaria Alan para atravessar O Portal e trazer informações concretas sobre a nova descoberta. Essa decisão não foi simples de se tomar, pois Agnes sabia que mandaria um companheiro de carreira ao incerto. Não era possível saber se o corpo humano suportaria tal passagem, porém, ainda por estigmas sociais ela decidira não fazer a viagem antes de todos, as discussões e guerras já estavam acirradas de mais para trazer mais debates ainda não vencidos à tona.


Uma pequena discussão se iniciou meio a gestão do Reate, Alan, mesmo beirando seus 57 anos ficou entusiasmado em ser o primeiro homem a experienciar a descoberta do Multiverso, porém Christopher Mahawks acreditava estar mais apto a realizar o experimento, pois além de ser mais novo e acreditar estar em melhores condições físicas que Hedren, tinha experiência em viagens ao espaço e uma longa carreira militar, dando voz assim a sua argumentação.


—Estive durante anos envolvido diretamente em atividades no espaço. Fiz parte da primeira missão tripulada a Marte além de estar em melhores condições físicas. Não se sabe o que podemos encontrar do outro lado de ‘O Portal’, é melhor termos alguém que consiga reagir a qualquer tipo de agressividade encontrada lá, caso contrário, não conseguiremos realizar a coleta de dados.

Antes que Agnes ou Alan pudessem argumentar, Mahawks segue seu ‘mar de justificativas’.


—Imagine se a passagem de um homem incapaz de cumprir a missão gerar uma reação defensiva em possíveis povos que habitam o multiverso? Isso pode tornar mais difícil ou mesmo impossível nossa pesquisa.


Um silêncio breve paira a sala de reuniões do Reate, como se fosse apenas o tempo necessário para processar o que foi dito, poucos segundos depois Hedren irrompe o silêncio, elevando seu tom de voz.


—ESTAMOS TODOS NA GESTÃO DO REATE! PRECISO ENVIAR O CURRÍCULO PARA ONDE, DR. MAHAWKS?


Agnes se assusta com a reação um tanto quanto desproporcional de Hedren, porém, diplomaticamente busca reafirmar e justificar sua escolha.


—Dr. Hedren será o primeiro homem a cruzar O Portal, minha decisão já foi tomada. Alan é um cientista experiente, a primeira informação que buscamos no Multiverso é se existe a real possibilidade de que haja vida. Hedren possui a capacitação necessária para isso, estamos buscando informações, não mais uma guerra!


—Agnes! — questiona Mahawks em tom desafiador.—Não teremos a informação que precisamos se o Dr. Alan Hedren não viver tempo suficiente para trazê-la de volta.


—O risco do não retorno é inerente a esta missão. Não temos nenhum parâmetro para afirmar as qualificações necessárias para realizar essa coleta de dados. — responde Agnes em tom calmo porém incisivo.


Assim como se esperava, os cientistas não estenderiam um debate a ponto de transformá-lo em uma discussão. Por mais conturbado que fossem os tempos, seu orgulho não lhes permitiria rebaixar seus argumentos a socos e pontapés.


Fora acordado que o primeiro experimento seria feito em três dias a partir daquele dia. Dada a finalização sem maiores imbróglios, a data da experimentação se aproximava. A mídia noticiava a experiência como algo que romperia a naturalidade, evidentemente isso descredibilizava a mobilização, mas também trazia mais visibilidade, então, não era nada fora do esperado.


—Data-se aqui o início da execução do Reate. Frente O Protal Alan Hedren, Doutor em Estudos Estruturais Celulares Avançados, PhD em Microbiologia e gestor adjunto do Reate. Dia 17 de agosto de 2094, 19:00, iniciando processo e abertura do Multiverso.


Na sala de execução do Reate, Agnes, Alan e Cristopher eram acompanhados por mais de cem cientistas, os poucos que sobraram após as grandes perseguições. Agnes utilizava a infraestrutura de monitoramento de vídeo e áudio do Reate para registrar cada passo executado em um momento tão crucial. Estruturalmente, O Portal seguiu a risca tudo de mais inovador criado pelo Reate, porém, o experimento começaria assim que ele fosse ativado. Não haviam certezas permeadas aquela sala, apenas dúvidas e inseguranças. Tal experimento não pairava a cabeça de nenhum cientista pelos últimos dez anos.


Um estalo grave é ouvido dentro e fora da estrutura do Reate, os cientistas que lá estavam recebem o som como um estrondo, aguardando que o pior acontecesse.


—Calma, vai dar certo…Calma, está tudo sob controle… — dizia Agnes, em palavras que saem de sua boca como um sussurro. Mal ela mesma conseguir ouvir e crer naquilo que dizia.


O Portal então gera uma espécie de espelho líquido em seu centro, que fazia leves movimentos de contração, como um balde de água parado sobre uma mesa. Alan Hedren, com todo seu equipamento vestido olha brevemente sobre seus ombros, como quem por um momento hesitasse a seguir em frente, mas logo estica suas mãos, passando-as primeiro, logo em sequência de seus ombros e corpo.


Após a passagem de Hedren, instantaneamente o centro de ‘O Portal’ irrompe em luz desaparecendo seu ‘espelho d'água’. Isso era esperado, e logo seguido por aplausos…Não havia certeza de que quando O Portal fosse reaberto ele faria a linha de conexão exata onde Hedren haveria de desembarcar, porém, para aqueles que estavam na sala do Reate, até ali, o experimento era um total sucesso.


O acordado para a experimentação era de que cinco minutos após a passagem de Alan, o portal fosse reaberto. Hedren levara consigo um relógio atômico, para que ele pudesse ter o máximo de controle sobre a passagem do tempo, retornando ao seu local de desembarque no exato instante marcado. Durante os cinco minutos seguintes, quase nada se ouvia dentro da Sede do Reate, no máximo alguns risos envoltos em nervosismo.


—Dia 17 de agosto de 2094, 19:05, iniciando processo o processo de reabertura do Multiverso. - segue o protocolo Agnes, com a voz notavelmente embargada.


Logo que o ‘espelho d’água’ se forma em ‘O Portal’, ansiosamente os cientistas aguardam ver as mãos de Hedren passando de volta a sua origem, porém, ao contrário disso, logo nos primeiros segundos o que se observa é a grande ausência de movimentação na fina camada aquosa. Cada segundo passa a parecer minutos, Agnes e Cristopher mal conseguem descolar seus lábios secos. Os cientistas começam a murmurar uns com os outros, já considerando a perda inevitável de seu gestor, Hedren, o primeiro homem a atravessar O Portal.


—Já são 19:11, feche O Portal, Agnes! — exclama Adrian Sam, cientista do Reate. - Não podemos forçar O Portal, Hedren não voltou, feche!


As palavras do Dr. Adrian ecoam como um alarme entre os cientistas, que começam a solicitar incessantemente a desativação de ‘O Portal’. Os olhos de Agnes instantaneamente enchem de lágrimas, mas sua mente acompanha diretamente o raciocínio e preocupação de todos os cientistas. Quase como em um espasmo, sua mão esquerda bate no botão de comando de desativação da máquina e imediatamente a Dra. vira as costas e sai da sala de experimentação, deixando para trás qualquer explicação ou lamentação que teria de fazer naquele momento.


Sem muitas respostas, Cristopher observa os colegas debatendo entre si tudo aquilo que era possível ter saído errado, mas logo segue o mesmo caminho de Agnes, ele não queria tanto quanto ela ter que responder as perguntas cortantes que inevitavelmente chegariam.


—Agnes, você está… — abruptamente Agnes interrompe Christopher, aparentemente toda a calma que ela demonstrou durante os embates e a experimentação havia se esgotado.


—NÃO ME FAÇA PERGUNTAS RASAS! É LÓGICO QUE NÃO ESTOU BEM! Quero que me faça perguntas de um gestor! Como vamos tirar Hedren de lá? O Portal não reabriu para Hedren no ponto de ‘desembarque’?


—Agnes, o experimento mexeu com todos, você…


—CRISTOPHER! Se não for para falar sobre como resolver o problema, não preciso falar mais nada com você por hora. Prepare-se, já que você tanto queria conhecer o Multiverso, amanhã é seu dia. Vamos seguir o cronograma até obtermos as respostas que precisamos!


Agnes dá as costas a seu companheiro e segue de volta para o saguão de experimentação, não hesitante, Christopher a segue.


—Não obtivemos sucesso em nosso primeiro experimento. —reporta Agnes com a voz firme e olhando diretamente para os cientistas ansiosos, —Seguiremos para a nossa segunda passagem ao Multiverso, onde o Dr. Christopher Mahawks relizará a travessia. Aguardo os Senhores e as Senhoras aqui no saguão amanhã, às 10:00.

Agnes dá as costas a todos e segue em direção a sua sala de descanso. Ainda perplexos, os cientistas ainda balbuciam palavras entre si, como quem estivesse em posição de críticas e ataques. Um tanto quanto enojado com sua equipe, Cristopher também se retira.


Como um rito realizado diversas vezes, Agnes inicia novamente todo o protocolo de iniciação de ‘O Portal’. Naquela manhã, ela dirigiu-se ao refeitório, fez seu desjejum e seguiu direto para o saguão de experimentação, não dirigiu em nenhum momento a palavra a seus companheiros. Agnes sentia nas costas todo o peso do fracasso na primeira missão, porém, aqueles que a viam passar para lá e para cá poderiam até pensar que ela estava a iniciar o processo pela primeira vez.


—Data-se aqui a segunda execução do Reate. — sem nenhuma palavra de apoio ou pesar, Agnes realiza os procedimentos como um robô pré-programado. - Frente ‘O Portal’ Christopher Mahawks, Doutor em Cosmologia, General Quatro Estrelas pela 19° Divisão Militar de estudos Cosmológicos e Ameaças Aéreas. Dia 18 de agosto de 2094, 10:00, iniciando processo de abertura do Multiverso.


Cristopher sequer titubeia, passa primeiramente suas mãos, logo após seus ombros e em sequência seu corpo. Ali inicia-se mais cinco minutos de agonia dentro da sala de experimentação. O projeto Reate não informou a nenhum tipo de mídia sobre sua primeira experimentação, pois a situação social era frágil, muito frágil para mencionar fracassos.


Imediatamente dados os cinco minutos, o portal é reaberto. Alguns cientistas, logo nos primeiros segundos revendo o ‘espelho d‘água’ não esboçar qualquer tipo de movimentação, se retiram da sala, aflitos.


—10:05, sem retorno do Dr. Christopher Mahawks. Iniciando processo de desativação de ‘O Portal’. — Agnes prossegue o protocolo sem esboçar qualquer tipo de sentimento ou afeição.


—Nós temos os dados, eles afirmam que Christopher Mahawks e Alan Hedren foram transportados para o mesmo ponto. É notável que o Multiverso não é apropriado para seres vivos, nossos equipamentos podem não suportar a atmosfera ou mesmo o próprio conjunto de reações químicas de ‘O Portal’. Nós erramos nos cálculos! — expõe sua linha de raciocínio um dos cientistas.


—Claramente fracassamos, construímos uma máquina que aniquila seres humanos! Quem sabe a própria descoberta do Multiverso não seja um erro… —salienta outro.


—Já basta, sabemos que o Multiverso existe, vemos o que acontece com quem tenta experienciar a passagem, lá não há vida! —exclama mais um membro da equipe.


Mais uma leva de membros do Reate saem do saguão, retirando seus crachás, alguns furiosos jogam seus jalecos na lixeira antes de deixar a sala.


Dentre a leva de cientistas que desertaram do projeto Reate estava Adrian Sam. Imediatamente ele deixa a Sede do experimento e vai à procura do maior meio de comunicação social para relatar e abrir a caixa-preta do experimento.


—Senhoras e Senhores, -inicia sua entrevista, Adrian Sam,—nós falhamos, venho aqui trazer o pronunciamento oficial do experimento Reate. Descobrimos que de fato há o Multiverso. Enviamos dois gestores para a experimentação, sem êxito. Ambos estão mortos graças a aberração que criamos. A verdade é que existem realidades paralelas, mas que nós, seres humanos, não podemos atravessar o tecido entre elas. Façam com suas vidas aquilo que julgarem melhor. — Adrian Sam dá as costas aos repórteres e segue em direção ao seu carro.


O pronunciamento do cientista trouxe ainda mais caos social. A caminho de sua casa, o carro e Adrian foi alvejado e destruído por extremistas. Governos declaram guerra ao projeto Reate.


Agnes, apesar de abalada não permite que seus sentimentos transpareçam e no saguão de experimentação se pronuncia após mais um fracasso.


—Sei que não temos cronograma para uma terceira experiência, mas eis aqui o que faremos. Eu solicito que Anne Scarlet, a cientista mais antiga na linha de sucessão do Reate assuma o controle de ‘O Portal’. Eu realizarei a terceira experimentação. Não mais que cinco minutos O Portal deve ficar ativo, seguindo todos os protocolos de execução já acordados e calculados durante o desenvolvimento do projeto. Eu sou prepotente de mais para admitir um erro tão grotesco ou lúcida de mais para crer naquilo que não passou pelo meu crivo. Dra. Anne, por favor.


Sem muita contestação, Anne e os outros cientistas aceitaram o que Agnes propôs. A gestora se retira por um momento do saguão para realizar a vestimenta dos equipamentos. Naquele momento tudo que passava em sua mente era que por algum motivo, voluntariamente, o Dr.Christopher Mahawks e o Dr.Alan Hedren optaram por não retornar.


—Data-se aqui a terceira execução do Reate. —inicia os protocolos a Dra. Anne Scarlet, aflita e insegura em sua fala. — Frente ‘O Portal’ Dra. Agnes Natierri, Doutora em Biomedicina, PhD em Microbiologia e Evolução Celular. Dia 18 de agosto de 2094, 10:15, iniciando processo de abertura do Multiverso.


Agnes, frente O Portal, imediatamente estende seus braços, transpassando a fina camada líquida da máquina.


Na sala do Reate, as conversas em baixo tom deram espaço a discussões mais acaloradas. Todos os cientistas sabiam que caso a Dra. Agnes não retornasse do experimento, todos os anos de estudo e trabalho no projeto Reate teriam sido em vão. A organização social da forma que era conhecida, desmoronaria. A certeza de que países entrariam em guerra se fazia cada vez mais presente.


— Por favor, recomponham-se! Não podemos desviar nosso foco da experimentação! - de forma incisiva, fala Dra. Anne.


Cerca de quatro minutos após o início da terceira experimentação, a ansiedade tomava conta de toda a sala do Reate. Olhos vidrados fixavam-se em ‘O Portal’. Ouvia-se alguns suspiros a cada segundo que se passava. No fim, aquele momento mostrou que nem mesmo os mais confiantes cientistas podiam conter a insegurança sobre seu próprio conhecimento.


À dez segundos do fechamento de ‘O Portal’, mais cientistas saiam da sala, desertando rumo ao incerto. A fina camada aquosa não esboçava nenhum movimento, mais uma vez, transformando segundos em minutos para aqueles que ainda alimentavam um pouco de esperança…Os últimos segundos foram ainda mais agoniantes para aqueles que o presenciaram.


Todos ouviram o primeiro suspiro de alívio dos últimos dias. O ‘espelho d'água’ mostra movimentação. Vagarosamente todos ali presentes viam as mãos da Dra.Agnes Natierri saindo por ‘O Portal’. Antes mesmo que o processo de retorno fosse concluído, todos começaram a aplaudir e comemorar, a felicidade do êxito trouxe euforia a todos os cientistas que presenciaram o sucesso daquela missão. Acima de tudo, todos queriam saber sobre a coleta de dados, pois caso Agnes tivesse sucesso ao realizá-las, aquela seria a primeira vez em muito tempo que a ciência poderia reverter todo o caos gerado por sua própria descoberta.


Em passos lentos, Agnes surge de ‘O Portal’. Primeiro seus braços, logo em sequência seus ombros e seu corpo. Agnes retorna a seu mundo, cambaleando um pouco, era perceptível a fraqueza em suas pernas e por isso, prontamente dois cientistas a ajudam a se distanciar da passagem.


—10:20, retorno confirmado da Dra.Agnes Natierri. Iniciando processo de desativação de ‘O Portal’. — informa brevemente Anne, desativando a máquina para ajudar sua companheira a retirar seu traje.


Afobados, Anne e mais dois cientistas ajudam Agnes a retirar seu capacete. Agnes observa seus colegas olhando fixamente para ela, sedentos por qualquer palavra que ela dissesse. Ainda um pouco atordoada, a Dra. respira fundo e com movimentos lentos se dirige a frente de sua equipe.


—Nós somos incapazes de compreender de forma clara um objeto de estudo. — quebra o silêncio Agnes. —Pouco usamos nossas faculdades para compreender o objeto estudado como um todo. Nossa aproximação excessiva durante os estudos e experimentações fazem com que enxerguemos apenas uma face de algo não unidimensional, trazendo assim embates infinitos entre nossos pontos de vista de acordo com a posição a qual vemos o objeto estudado.


—Quando não vimos Alan e Christopher regressar por ‘O Portal’, imaginamos as possibilidades do não retorno apenas sob nossa perspectiva, não tendo sequer uma informação do que havia do outro lado. Pois agora lhes digo, o Multiverso existe e traz as mesmas condições de vida que temos aqui em nosso planeta. Os gestores Alan Hedren e Dr.Christopher Mahawks não realizaram a volta por saberem que nossas leis não permitiriam que eles partissem desse Universo para o Multiverso, logo, abandonaram aqui seus problemas, frustrações e também o compromisso em trazer respostas à sociedade.


—O Multiverso existe e é habitável, mas nenhuma de nossas descobertas e experimentações trarão a mudança que almejamos como sociedade. Há um hiato muito maior a ser preenchido, e este só acabará quando entendermos, como humanos, que toda análise deve ser feita não só no objeto, mas em tudo que também o permeia.

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